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A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para investigar mortes de bebês ocorridas no Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste da capital paulista, unidade que integra a rede Hapvida. Há suspeitas de infecções adquiridas durante a internação, que teriam provocado quadros graves de sepse, choque séptico e outras complicações.
O 8º Distrito Policial investiga inicialmente seis casos, mas a reportagem teve acesso a 16 certidões de óbito. Segundo a advogada que representa familiares das vítimas, ela mantém contato com 36 mães que perderam seus filhos após internações na unidade. O número total de casos ainda não foi confirmado oficialmente.
Entre os casos relatados estão os de três crianças que morreram após períodos de internação marcados por complicações graves:
- Gael França da Silva: o bebê foi internado aos quatro meses, em abril, com suspeita de infecção. Durante o tratamento, apresentou complicações, incluindo necrose em um dos pés, comprometimento da visão e agravamento do quadro clínico. Morreu aos sete meses, com choque séptico, sepse e pneumonia registrados na certidão de óbito.
- Guilherme Ferreira Miranda: internado com um mês de vida, o bebê apresentou inchaço corporal, sangramentos e paradas cardiorrespiratórias durante o período hospitalar. Segundo o relato dos pais, houve suspeitas relacionadas à medicação administrada. Ele morreu no início de maio, e a certidão de óbito apontou choque, coagulação intravascular disseminada e atresia das vias biliares.
- Alice Vitória de Andrade Reis: a criança, que tinha condições de saúde preexistentes, foi internada para um procedimento relacionado à alimentação. Durante os seis meses de internação, apresentou diversas complicações, incluindo infecção bacteriana no cérebro e infecção pela bactéria KPC, resistente a vários antibióticos. Morreu em abril, aos um ano de idade. A mãe suspeita de falhas na assistência e de contaminação no ambiente hospitalar.
A Secretaria da Segurança Pública informou que os casos foram comunicados à polícia em 21 de outubro. As investigações incluem depoimentos de profissionais de saúde e testemunhas, além da análise dos prontuários médicos, para esclarecer as causas das mortes e eventuais responsabilidades.
O que diz o hospital: em nota, a rede Hapvida afirmou que os pacientes apresentavam condições clínicas distintas e graves, e que todos receberam assistência contínua e multidisciplinar. A empresa declarou ainda que os tratamentos foram individualizados, conforme as necessidades e a evolução de cada paciente, e que mantém um canal de diálogo com as famílias.
Importante: até o momento descrito na reportagem, as suspeitas estão sob investigação policial, e não há conclusão oficial que confirme a responsabilidade do hospital pelas mortes.


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